BOAS VINDAS

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sábado, 1 de junho de 2013

Encarnação



Encarnação
 


 
Carnais sejam carnais tantos desejos,
Carnais, sejam carnais tantos anseios,
Palpitações e frêmitos e enleios,
Das harpas da emoção tantos arpejos...

Sonhos, que vão, por trêmulos adejos,
À noite, ao luar, intumescer os seios
Lácteos, de finos e azulados veios
De virgindade, de pudor, de pejos...

Sejam carnais todos os sonhos brumos
De estranhos, vagos, estrelados rumos
Onde as Visões do amor dormem geladas...

Sonhos, palpitações, desejos e ânsias
Formem, com claridades e fragrâncias,
A encarnação das lívidas Amadas!



(CRUZ e SOUZA, João da. Encarnação. In.: 
Obra completa org. Andrade Murici. Rio de
Janeiro: Nova Aguilar, 1995 (p.72-3)


terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Do erótico ao platônico



“Do erótico ao platônico”





Eu quero recostar-me em seu seio
E adormecer como no travesseiro.

Eu queria acordar em seus braços
E transitar pelo seu corpo.

Eu queria perder-me no agora
E encontrar-me só em você.

Eu queria sussurrar em seu ouvido
E ouvir o eco no brilho dos olhos seus.

Eu queria provar seus lábios
E alimentar-me com seus desejos.

Eu queria parar tudo,
Ficar diante de você,
Vazio de problemas
E cheio de inocência.

Eu queria que fôssemos duas estátuas
Perdidas num jardim sem importância,
Uma diante da outra, olhando, olhando...
Duas estátuas sem ninguém para recriminar.
Olhando, olhando...
Vivendo o milagre do amor platônico!

 


Neimar de Barros. Deus negro


domingo, 29 de abril de 2012

A catedral


“A catedral”



Entre brumas ao longe surge a aurora,
O hialino orvalho aos poucos se evapora,
Agoniza o arrebol.
A catedral ebúrnea do meu sonho
Aparece na paz do céu risonho
Toda branca de sol.

E o sino canta em lúgubres responsos:
"Pobre Alphonsus! Pobre Alphonsus!"

O astro glorioso segue a eterna estrada.
Uma áurea seta lhe cintila em cada
Refulgente raio de luz.
A catedral ebúrnea do meu sonho,
Onde os meus olhos tão cansados ponho,
Recebe a bênção de Jesus.

E o sino clama em lúgubres responsos:
"Pobre Alphonsus! Pobre Alphonsus!"

Por entre lírios e lilases desce
A tarde esquiva: amargurada prece
Põe-se a lua a rezar.
A catedral ebúrnea do meu sonho
Aparece na paz do céu tristonho
Toda branca de luar.

E o sino chora em lúgubres responsos:
"Pobre Alphonsus! Pobre Alphonsus!"

O céu é todo trevas: o vento uiva.
Do relâmpago a cabeleira ruiva
Vem açoitar o rosto meu.
A catedral ebúrnea do meu sonho
Afunda-se no caos do céu medonho
Como um astro que já morreu.

E o sino chora em lúgubres responsos:
"Pobre Alphonsus! Pobre Alphonsus!"


(Alphonsus de Guimaraens, poeta simbolista) 


sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Beijo na boca


BEIJO NA BOCA


       Uma vez a atriz e cineasta Carla Camuratti declarou, numa entrevista, que um bom beijo é melhor do que uma transa insossa. Quando a escutei dizendo isso, pensei: "então não sou só eu". Estou com Carla: o beijo é a parte mais importante da relação física entre duas pessoas, e se ele não funcionar, pode desistir do resto.
     A Editora Mandarim acaba de lançar um livro que reúne ensaios de diversos intelectuais a respeito do assunto. O nome do livro é O Beijo - Primeiras Lições de Amor, História, Arte e Erotismo. Os autores discutem o beijo materno, o beijo nos contos-de-fadas, o beijo traiçoeiro de Judas, os primeiros beijos impressos em cartazes, o beijo na propaganda, o mais longo beijo do cinema e todas as suas simbologias. Às vezes o livro fica prolixo demais, mas ainda assim é um assunto tentador. Procure-o nas melhores casas do ramo. O livro, porque beijo não está à venda.
     Todo mundo sonha com aquele beijo made in Hollywood, que tira o fôlego e dá início a um romance incandescente. Pena que nem sempre isso aconteça na vida real. O primeiro beijo entre um casal costuma ser suave, investigativo, decente. Aos pouquinhos, no entanto, acende-se a labareda e as bocas dizem a que vieram. Existe um prazo para isso acontecer: entre cinco minutos depois do primeiro roçar de lábios até, no máximo, cinco dias. Neste espaço de tempo, ainda compreende-se que os beijos sejam vacilantes: tratam-se de duas pessoas criando um vínculo e testando suas reações. Mas se a decência persistir, não espere ver estrelinhas na etapa seguinte. A química não aconteceu.
      Beijo é maravilhoso porque você interage com o corpo do outro sem deixar vestígios, é um mergulho no escuro, uma viagem sem volta. Beijo é uma maneira de compartilhar intimidades, de sentir o sabor de quem se gosta, de dizer mil coisas em silêncio. Beijo é gostoso porque não cansa, não engravida, não transmite o HIV. Beijo é prático porque não precisa tirar a roupa, não precisa sair da festa, não precisa ligar no dia seguinte. E sem essa de que beijo é insalubre porque troca-se até 9 miligramas de água, 0,7 grama de albumia, 0,18 de substâncias orgânicas, 0,711 miligrama de matérias gordurosas e 0,45 miligrama de sais, sem contar os vírus e as bactérias. Quem está preocupado com isso? Insalubre é não amar.

(Martha Medeiros)

domingo, 18 de setembro de 2011

Ideias latentes

     “Ideias latentes”



Queria beijar a boquinha da noite
Queria ter um pé-de-vento cheiroso
Queria deflorar a mata mais virgem
Queria beijar o corpo da estante.

Sou da cor do pecado inocente e doce
Sou parecido com tua fome de moça
Sou a fogosa essência dos teus desejos
Sou o fim da tua donzelice casta.

És minha noite sensível e estrelada
O pé-de-vento que me joga no chão
A floresta densa em que sempre me perco
A estante onde nunca guardei meu sexo.


Pimentel

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Satânia

Satânia



Nua, de pé, solto o cabelo às costas,
Sorri. Na alcova perfumada e quente,
Pela janela, como um rio enorme
De áureas ondas tranquilas e impalpáveis,
Profusamente a luz do meio-dia
Entra e se espalha palpitante e viva.
Entra, parte-se em feixes rutilantes,
Aviva as cores das tapeçarias,
Doura os espelhos e os cristais inflama.
Depois, tremendo, como a arfar, desliza
Pelo chão, desenrola-se, e, mais leve,
Como uma vaga preciosa e lenta,
Vem lhe beijar a pequenina ponta
Do pequenino pé macio e branco.

Sobe... cinge-lhe a perna longamente;
Sobe... — e que volta sensual descreve
Para abranger todo o quadril! — prossegue,
Lambe-lhe o ventre, abraça-lhe a cintura,
Morde-lhe os bicos túmidos dos seios,
Corre-lhe a espádua, espia-lhe o recôncavo
Da axila, acende-lhe o coral da boca,
E antes de se ir perder na escura noite,
Na densa noite dos cabelos negros,
Para confusa, a palpitar, diante
Da luz mais bela dos seus grandes olhos.

E aos mornos beijos, às carícias ternas
Da luz, cerrando levemente os cílios,
Satânia os lábios úmidos encurva,
E da boca na púrpura sangrenta
Abre um curto sorriso de volúpia...

(Olavo Bilac)

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Aprenda a classificar as mulheres


Aprenda a classificar as mulheres


Aprenda a classificar as mulheres.
         Os cientistas determinam que, em média, uma trepada dura 7 minutos (a respeito disso até há um famoso livro da literatura erótica universal denominado Os sete minutos).  O cálculo médio de uma trepada é de 60 penetrações. Suposto que o cacete tem, em média, 15 centímetros, significa que a mulher recebe, em média, 6.300 centímetros de chibata, ou seja, 63 metros de rola a cada relação.
         Geralmente as mulheres trepam 3 vezes por semana; e como o ano tem 52 semanas, então elas fodem 156 vezes por ano. Isto quer dizer que a mulher recebe 9.828 metros de vara por ano, ou o equivalente a quase 10 km de pica por ano.
         Sugiro que repasse estas informações às suas amigas, que certamente não resistirão a argumentação tão singela, caso não tenham alcançado a quilometragem padrão.
         A 10 km por ano uma garota de nossa faixa etária, uns 24 anos, que tem sua vida sexual iniciada, em média, aos 15 anos, já rodou uns 24 –15 = 9 → 9 x 10 = 90 km!  Portanto, agora poderemos apresentar a mulherada da seguinte maneira:
         “ Joaquim, esta é a Maria. Ela trabalha num banco, tem 24 anos, mas está novinha! Só rodou uns 55 km!  Ela tem uma quilometragem de uma menina de 21 para 22 anos. Tá inteira, muito bem conservada. É como se fosse ano 73, modelo 76!”
         Há muita buceta perdida neste mundo. Pense comigo: “O homem tem, em média, pinto de 15 cm de comprimento; a mulher tem, em média, 20 cm de profundidade vaginal.” Levando em consideração os cálculos apresentados acima, chega-se à seguinte conclusão:  Em cada trepada, 21 metros de buceta são desperdiçados; por ano, são 3.276 metros. Tendo em vista que a vida sexual da mulher dura, em média, 50 anos, são 163.800 metros. Sabendo-se que, em média, a população é de 6 trilhões e 200 milhões (segundo dados do ano de 1999) e mais ou menos a metade é de mulheres, são: 507.780.000.000.000.000. metros (5,0778 e + 17). Com isso, chegamos à triste conclusão: Existe muita buceta perdida nesse mundo...!

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