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sexta-feira, 7 de junho de 2013

Games: bons para a terceira idade



Games: bons para a terceira idade




Jogar games de computador pode fazer bem à saúde dos idosos. Foi o que concluiu uma pesquisa do laboratório Gains Through Gaming (Ganhos através de jogos, numa tradução livre), na Universidade da Carolina do Norte, nos EUA.

Os cientistas do laboratório reuniram um grupo de 39 pessoas entre 60 e 77 anos e testaram funções cognitivas de todos os integrantes, como percepção espacial, memória e capacidade de concentração. Uma parte dos idosos, então, levou para casa o RPG on-line “World of Warcraft”, um dos títulos mais populares do gênero no mundo, produzido pela Blizzard, e com 10,3 milhões de usuários na internet. Eles jogaram o game por aproximadamente 14 horas ao longo de duas semanas (em média, uma hora por dia). Outros idosos, escolhidos pelos pesquisadores para
integrar o grupo de controle do estudo, foram para casa, mas não jogaram nenhum videogame.

Na volta, os resultados foram surpreendentes. Os idosos que mergulharam no mundo das criaturas de “Warcraft” voltaram mais bem dispostos e apresentaram nítida melhora nas funções cognitivas, enquanto o grupo de controle não progrediu, apresentando as mesmas condições.

— Escolhemos o “World of Warcraft” porque ele é desafiante em termos cognitivos, apresentando sempre situações novas em ambientes em que é preciso interagir socialmente — disse no site da universidade Anne McLauglin, professora de psicologia do laboratório e responsável pelo texto final do estudo. — Os resultados que observamos foram melhores nos idosos que haviam apresentado índices baixos nos testes antes do jogo. Depois de praticar o RPG, eles voltaram com melhores índices de concentração e percepção sensorial. No quesito memória, entretanto, o efeito do game foi nulo.

Outro pesquisador que participou da pesquisa, o professor de psicologia Jason Allaire, comentou no site que os idosos que se saíram mal no primeiro teste mostraram os melhores resultados após o jogo.

Os dois estudiosos vêm pesquisando os efeitos dos games na terceira idade desde 2009, quando receberam uma verba de US$ 1,2 milhão da universidade para investigar o tema. Entretanto, entre os jovens, estudos há anos procuram relacionar o vício em games ao déficit de atenção, embora ainda não haja um diagnóstico formal sobre esse tipo de comportamento.




MACHADO, André. Games: bons para a terceira idade. O Globo,
28 fev. 2012. 1o Caderno, Seção Economia, p. 24. Adaptado.


terça-feira, 4 de junho de 2013

Se fôssemos feitos para durar 120 anos



Se fôssemos feitos para durar 120 anos




Vem aí o mundo dos homens e mulheres centenários. [...] A ONU estima que, nos Estados Unidos, uma em cada vinte pessoas que hoje têm 50 anos viverá ainda meio século. No Brasil, existem cerca de 10.000 pessoas com mais de 100 anos. Diante dessa realidade, o sonho de que se possa viver muito além dos 100 anos se afigura cada vez mais possível. Mas não muito mais, pois há raros casos de pessoas que ultrapassam os 120 anos, idade que parece ser nosso limite natural. A questão que se coloca é: poderíamos transpor, com saúde, essa barreira biológica? Cientistas americanos [...] estudaram o assunto e concluíram que não. Para eles, se a evolução tivesse desenhado o corpo humano para durar um século ou mais, teríamos uma aparência muito diferente da atual.

Os cientistas fizeram o exercício de imaginar como teria de ser o corpo de uma pessoa centenária e totalmente saudável, construído para a longevidade. [...] Nós seríamos criaturas mais baixas, mais cabeçudas, mais orelhudas, encurvadas, de coxas e quadris mais largos. Tudo isso para evitar o desgaste natural causado pelo uso prolongado do corpo. Sem essas e outras mudanças, os idosos continuariam sofrendo com ossos frágeis, discos da coluna gastos, ligeiramente destruídos, varizes, cataratas, perda de audição e hérnias. [...]

Alguns cientistas defendem que a ciência deve colocar todos os instrumentos possíveis a serviço do objetivo de estender a vida e retardar o envelhecimento, mesmo que o ser humano não tenha sido planejado para isso. A medicina no século XX identificou e eliminou as causas das doenças infecciosas, o que, junto com uma série de mudanças no estilo de vida, como trabalhos menos pesados, ajudou a aumentar a média de vida da população. A medicina do século XXI procura a solução para as doenças vasculares, o câncer, as patologias degenerativas e as inflamações crônicas, males que acometem com frequência pessoas idosas. [...]

Não faltam interessados em patrocinar o sonho da eternidade. [...] Permitir que a humanidade viva o máximo de tempo possível com saúde é o objetivo de parte dos cientistas e pesquisadores. A questão é saber qual o limite que se quer para a extensão da vida humana. Uma sociedade em que o número de aposentados é maior que o de pessoas em atividade poderia entrar em colapso. Em muitos países, as pessoas param de trabalhar quando entram na casa dos 60 anos. Se fosse possível superar as limitações estruturais do corpo humano e estender a vida para além dos 120 anos, seria preciso rever todo o sistema social e econômico atual.


                                                                                                        Veja, 3 mar. 2004 (adaptado)

terça-feira, 19 de março de 2013

Efeito cascata



Efeito cascata




        O aquecimento global já é uma realidade da qual não se pode escapar. Se, de repente, por um passe de mágica, o mundo deixasse de jogar gás carbônico e outros gases do efeito estufa na atmosfera, ainda assim o clima ficaria mais quente. A prova está mais evidente no Polo Norte, mas também em outras regiões do planeta, assoladas por inundações, furacões, secas e outros fenômenos trágicos. Os efeitos se ampliam como se fossem cascata. A segunda parte do relatório do IPCC (Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas), divulgada também no ano passado, detalha isso.
      O derretimento do gelo polar, por exemplo, não é apenas uma curiosidade paisagística. Tanto no Ártico como na Antártica, o fenômeno provoca o aumento do nível do mar — uma das piores consequências do aquecimento global. Os oceanos já subiram 17 centímetros no último século, provocando mais erosão e ressacas em cidades litorâneas. Com meio metro de elevação, calculam cientistas brasileiros, 100 metros de praia seriam consumidos no nordeste brasileiro. Ilhas-nações do oceano Pacífico e países baixos como a Holanda ou regiões como o delta do Ganges, em Bangladesh, seriam inundados.
      Todo mundo se lembra do furacão Katrina, que arrasou Nova Orleans, nos Estados Unidos, em 2005, e expôs o despreparo do país mais poderoso do planeta para enfrentar a fúria dos ventos e do oceano. Dias depois, a costa do Golfo do México se viu às voltas com outro furacão, chamado Rita, causador de prejuízos bilionários, especialmente na indústria petrolífera do litoral do Texas. No mesmo ano, uma das piores secas se abateu sobre a bacia amazônica. Imagens familiares de rios caudalosos foram substituídas por um deserto, semeado de peixes mortos e barcos abandonados.
      Os dois fenômenos tiveram a mesma origem: um aquecimento anormal das águas do Atlântico. Mais calor na superfície do oceano significou um aumento de vapor d’água na atmosfera — ou mais combustível para furacões. As águas aquecidas do Atlântico afetaram o regime dos ventos que sopram do Caribe para a América do Sul e normalmente trazem umidade para a Amazônia. O resultado foi a tragédia que se seguiu, debitada na conta das mudanças climáticas resultantes do aquecimento global.



(Guia do Estudante, p. 190, Ed. Abril, 2009)


   

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Quanta cafeína é o suficiente para matar?




       Quanta cafeína é o suficiente para matar?







Em 2010, um britânico de 23 anos morreu por overdose de cafeína. Michael Lee Bedford consumiu o equivalente a 70 latas de energético ingerindo colheradas de pó de cafeína, que comprou pela internet.
A cafeína, consumida em doses muito elevadas, pode ser fatal. Esse estimulante é encontrado no café, alguns tipos de chás, energéticos e refrigerantes.
No ano passado, várias mortes foram ligadas ao consumo de cafeína nos Estados Unidos – cinco delas foram atribuídas ao energético Monster Energy, que é alvo de processos judiciais, e outras 13 mortes e mais 33 hospitalizações estão sendo ligadas ao energético 5-Hour Energy Shots.
A boa notícia é que seria muito difícil morrer de overdose de cafeína apenas tomando café, que é uma das bebidas mais amadas do Brasil. Especialistas afirmam que uma dose letal de cafeína equivale a 10 gramas. Isso significa quase 5 litros de café, que poderiam ser distribuídos em 100 xícaras consumidas em um curto período de tempo.

Qual é a quantia de cafeína diária segura para beber?

Com tantas mortes ligadas ao consumo excessivo de cafeína, entretanto, é difícil não pensar: afinal, qual é a quantidade segura de cafeína que podemos ingerir?
É difícil estabelecer um limite diário de consumo com precisão, porque a cafeína é eliminada de cada organismo de maneiras diversas. As variações são resultado de diferenças genéticas, sexo, e até mesmo se uma pessoa é fumante.
Para aumentar a confusão, a ciência adora café. E não é por menos – ele não só te deixa acordado e com disposição por horas, como pode fazer você viver por mais tempo, diminui a probabilidade de desenvolver câncer de próstata, pode diminuir o risco de depressão e te proteger contra doenças cardíacas.
Se você também ama café, algumas xícaras não vão te matar – você só pode chegar perto disso se tomar um galão da bebida. Beber até quatro ou cinco xícaras de café por dia, o que equivale a 400 mg de cafeína, é uma quantia segura para adultos saudáveis.
A ressalva fica para as mulheres grávidas, que não devem consumir mais de 200 mg de cafeína por dia, ou duas xícaras de café. Estudos recentes indicam que o consumo alto de cafeína por grávidas está ligado ao maior risco de aborto ou de ter um bebê abaixo do peso ideal.

Descubra quanta cafeína você ingere

Abaixo, confira a quantidade média de cafeína em cada bebida:

Café (150 ml): 60-150 mg
Café descafeinado (150 ml): 2-5 mg
Leite achocolatado (225 ml): 2-7 mg
Chá (150 ml): 40-80 mg
Coca-Cola (354 ml): 64 mg
Coca-Cola Diet (354 ml): 45 mg
Pepsi (354 ml): 43 mg


A regra geral para aproveitar os benefícios do pretinho é ser sensato e não abusar da cafeína.