BOAS VINDAS

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sábado, 10 de dezembro de 2011

Um dia descobriremos...


UM DIA DESCOBRIREMOS...



Um dia descobriremos que beijar uma pessoa para esquecer outra é bobagem.
Você não só não esquece a outra pessoa como pensa muito mais nela...

Um dia nós perceberemos que as mulheres têm instinto "caçador" e fazem qualquer homem sofrer...

Um dia descobriremos que se apaixonar é inevitável...

Um dia perceberemos que as melhores provas de amor são as mais simples...

Um dia perceberemos que o comum não nos atrai...

Um dia saberemos que ser classificado como o "bonzinho" não é bom...

Um dia perceberemos que a pessoa que nunca te liga é a que mais pensa em você...

Um dia saberemos a importância da frase: "Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas..."

Um dia perceberemos que somos muito importantes para alguém, mas não damos valor a isso...

Um dia perceberemos como aquele amigo faz falta, mas aí já é tarde demais...

Enfim...
um dia descobriremos que apesar de viver quase um século esse tempo todo não é suficiente para realizarmos todos os nossos sonhos, para beijarmos todas as bocas que nos atraem, para dizer tudo o que tem que ser dito naquele momento.

Não existe hora certa para dizer o que sentimos se quem estiver te ouvindo não te compreender, não te merecer...

O jeito é: ou nos conformamos com a falta de algumas coisas na nossa vida ou lutamos para realizar todas as nossas loucuras...

Quem não compreende um olhar tampouco compreenderá uma longa explicação.


(Autor desconhecido)

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Milho e fubá

Milho e fubá



Oscar tinha um sítio. Um dia Oscar resolveu  levar na camioneta um pouco de esterco do sítio, que era no interior de Minas, para o jardim de  sua  casa na capital. Na barreira foi interpelado pelo guarda:
— O que é que o senhor  está  levando  aí  nesse saco?
          — Esterco — respondeu Oscar, farejando  aborrecimento: — Por quê? Não lhe cheira bem?
— O senhor tem a guia? — o guarda perguntou, imperturbável.
— Guia?
— É preciso de uma guia, o senhor não sabia disso?
Oscar não sabia. Perguntou ao guarda como é que se arranjava uma guia.
— No Departamento Estadual do Esterco.
O guarda explicou a Oscar como é que ele devia fazer. Oscar deixou o carro na barreira, pegou uma carona e foi até o DEB, no centro da cidade.
— DEB? Devia ser DEE  —  observou Oscar.
— Devia ser mas não é — informou o funcionário:  —  É DEB mesmo. Aliás,  isso não  é  comigo: é com seu Redelvim, no segundo andar.
Seu Redelvim, acabou de rabiscar num papel, repousou a caneta e voltou-se para atendê-lo:
            — Em que lhe posso ser útil?
          — Dá-se o seguinte — explicou Oscar, muito amável, procurando des­pertar simpatia: — Eu trouxe um saco de esterco do meu sítio...
— Olha o pezinho na cadeira.
            — Como?
— O senhor estava encostando o pé na minha cadeira, isso me dá uma aflição danada — seu Redelvim explicou, com vozinha mansa — Pode prosseguir. Um saco de esterco, o senhor disse?
— De esterco — prosseguiu Oscar, e só fazia prestar atenção para não encostar mais o pé na cadeira do homem. — Trouxe do meu sítio. Lá embaixo no primeiro andar um funcionário, seu Alcides se não me engano, me informou que era com o senhor.
Inesperadamente, seu Redelvim se queimou:
— Seu Alcides disse que era comigo? Pois olha, vou lhe dizer uma coisa: eu estava exatamente redigindo uma representação ao Secretário contra esse abuso: tudo é comigo, até esterco! O senhor já esteve no Serviço de Seleção?
— Seleção de quê?
— De esterco, ora essa! Meu amigo, tem esterco de vaca, de galinha, até de passarinho, o senhor pode não acreditar, mas tem.
— Eu acredito — balbuciou Oscar.
            — Pois então? —  e seu Redelvim sorriu,  triunfante.
— O meu é de vaca, se me permite informar.
— Seja do que for, o senhor tem de ir ao Serviço de Seleção. 
No Serviço de Seleção perguntaram a Oscar quantos quilos de esterco de vaca ele transportava. Oscar não soube dizer: um punhado, um saquinho deste tamanho, mostrou, erguendo as mãos. O funcionário disse que assim não era possível: tinha de saber o peso exato. Pesasse o esterco e voltasse, querendo. Oscar perdeu a paciência, deixou escapar um palavrão. Voltou à barreira, pegou seu carro e regressou ao sítio com o esterco.
Ao chegar, a mulher lhe disse que ele devia ter corrido um dinheirinho no guarda, ficava tudo por isso mesmo... Eu venho com o milho e ela já volta com o fubá, resmungou Oscar. Mal comparando.


(Fernando Sabino. A mulher do vizinho)

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

O maior problema do mundo

OPINIÃO

O maior problema do mundo

De todas as “questões para o próximo milênio”, esta é uma que ninguém sabe resolver

O maior problema do mundo não é a miséria, não é a guerra, não é a delinquência. É dar uma função socialmente útil às pessoas que produzem esses males, de modo que parem de produzi-los. Nenhum desses problemas surge do acaso ou do mero efeito inconsciente das ações das massas anônimas. Cada um deles surge da iniciativa de pessoas e grupos dotados do poder de agir.
Só há três classes de pessoas poderosas: os ricos, os chefes político-militares e os intelectuais. Dessas três, só a primeira encontrou seu lugar no mundo. Ela organizou tão bem sua atividade que, além de liberar forças produtivas jamais sonhadas (como salientava Marx), tornou a economia uma máquina de prosperidade geral capaz de funcionar sozinha, sem muita interferência do Estado. A classe dos ricos – a burguesia – cumpriu seu papel: abrir o caminho de dias melhores para toda a humanidade. Só que, para fazer isso, ela tornou a economia o centro da vida, organizando as outras duas esferas do poder – a político-militar e a intelectual – pelo modelo de administração das fábricas ou dos bancos. O capitalismo racionalizou e burocratizou o Estado, a Justiça, os exércitos e a vida intelectual. Um chefe militar é hoje um funcionário, como é funcionário o homem de ciência. Na vida político-militar não há mais lugar para caudilhos ou condottieri, tal como na esfera do conhecimento há cada vez menos lugar para o sábio independente.
Isso fez com que entre essas duas esferas e a da economia surgisse uma diferença radical. Na economia há patrões e empregados, os primeiros apostando na inventividade pessoal e no risco, os segundos na segurança e na rotina. Tanto a margem de iniciativa dos primeiros quanto as garantias sociais dos segundos se ampliam com o tempo, diferenciando bem os tipos humanos correspondentes. Nada disso há nas esferas político-militar e intelectual. Aí não há patrões. Todos são empregados. Todos estão enquadrados no regulamento que reduz ao mínimo o campo das decisões e da criatividade pessoal. O gênio, a inventividade, a audácia refluem para a única esfera restante: a economia. Por isso ainda é possível um Bill Gates. Mas já imaginaram um Bill Gates da política, da guerra, da ciência, da filosofia? Não, não há mais lugar no mundo para Júlio César, Carlos Magno, Leibniz ou Aristóteles.
Tudo isso estaria muito bem se as pessoas dotadas de gênio e iniciativa nessas esferas se conformassem com o estado de coisas. Mas essa conformidade não parece ser compatível com a natureza humana. As personalidades vigorosas, rejeitadas pelo sistema, continuam surgindo. Não encontrando espaço, abrem-no com os cotovelos. Num sistema que as acolhesse, teriam sido gênios criadores. Rejeitadas pelo mundo real, rejeitam a realidade. Inventam outra, impossível, e tornam-se artífices da destruição. Tornam-se Lenin, Hitler, Stalin, Mao. Tornam-se chefes de máfias. Tornam-se inventores de ideias macabras, capazes de seduzir as massas e levá-las ao suicídio. Tornam-se os senhores da morte, da miséria, do caos.
Nosso tempo não produziu nenhum Aristóteles, nenhum Moisés, nenhum criador de mundos. Produziu mais gênios do Mal que qualquer outro período da História. Sem eles, a existência, ou pelo menos a dimensão atual de todos os males apontados no início deste artigo, seria inconcebível.
Já sabemos como organizar a economia. Só não sabemos organizá-la de modo a evitar a marginalização que transforma os gênios em titãs excluídos e os devolve à História na forma de furacões. Este é o maior problema do mundo. Teremos um milênio inteiro para encontrar sua solução?


(Olavo de Carvalho, filósofo e pensador)

Edição 137 01/01/2001

Fonte: site “Pensadores brasileiros”

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

O analfabeto político

       O analfabeto político



O pior analfabeto é o analfabeto político.
Ele não ouve, não fala,
nem participa dos acontecimentos políticos.
Ele não sabe que o custo de vida,
o preço do feijão, do peixe,
da farinha, da renda de casa,
dos sapatos, dos remédios,
dependem das decisões políticas.


O analfabeto político é tão burro
que se orgulha e enche o peito de ar
dizendo que odeia a política.


Não sabe, o idiota,
que da sua ignorância política
nasce a prostituta, o menor abandonado,
e o pior de todos os bandidos
que é o político vigarista,
aldrabão, o corrupto
e lacaio dos exploradores do povo.


(Bertolt Brecht - dramaturgo e poeta alemão - 1898 - 1956)


Texto escrito há mais de meio século e, infelizmente, tão atual.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Política e politicalha


Política e politicalha



A política afina o espírito humano, educa os povos no conhe­cimento de si mesmos, desenvolve nos indivíduos a atividade, a cora­gem, a nobreza, a previsão, a energia, cria, apura, eleva o mereci­mento.
Não é esse jogo da intriga, da inveja e da incapacidade, a que entre nós se deu a alcunha de politicagem. Esta palavra não traduz ainda todo o desprezo do objeto significado. Não há dúvida que rima bem com criadagem e parolagem, afilhadagem e ladroagem. Mas não tem o mesmo vigor de expressão que os seus consoantes. Quem lhe dará com o batismo adequado? Politiquice? Politiquismo? Politica­ria? Politicalha? Neste último, sim, o sufixo pejorativo queima como um ferrete, e desperta ao ouvido uma consonância elucidativa.
Política e politicalha não se confundem, não se parecem, não se relacionam uma com a outra. Antes se negam, se excluem, se repul­sam mutuamente.
A política é a arte de gerir o Estado, segundo princípios defini­dos, regras morais, leis escritas, ou tradições respeitáveis. A politica­lha é a indústria de explorar o beneficio de interesses pessoais. Cons­titui a política uma função, ou o conjunto das funções do organismo nacional: é o exercício normal das forças de uma nação consciente e senhora de si mesma. A politicalha, pelo contrário, é o envenena­mento crônico dos povos negligentes e viciosos pela contaminação de parasitas inexoráveis. A política é a higiene dos países moralmente sadios. A politicalha, a malária dos povos de moralidade estragada.

(Rui Barbosa)